Portas Abertas – Inglês: aprendendo o idioma por meio da escuta, da música e da participação ativa

Como apresentar um novo idioma de forma natural, agradável e efetiva? Essa foi a pergunta que guiou mais uma edição do Portas Abertas, desta vez dedicada ao ensino de Inglês. Conduzido pelo professor Kaique Oliveira, o encontro permitiu aos participantes conhecerem de perto a proposta pedagógica adotada pela Academia, além de vivenciarem uma aula prática baseada em música, escuta atenta e interação constante.
Ao longo da apresentação, os participantes puderam compreender como o aprendizado da língua inglesa é organizado para diferentes faixas etárias e níveis de conhecimento, observando na prática os princípios que orientam as aulas.
Dois caminhos para aprender inglês
Kaique iniciou o encontro explicando que a Academia trabalha com dois modelos principais de ensino.
O primeiro é formado pelas aulas imersivas, destinadas a alunos que já possuem maior domínio da língua inglesa. Nelas, todo o processo acontece em inglês, proporcionando uma experiência de contato contínuo com o idioma. Além da conversação, as aulas incluem memorização, recitação de poemas, canções, apreciação artística e o estudo de obras clássicas.
O segundo modelo corresponde às chamadas aulas GC, voltadas para iniciantes ou alunos com conhecimento básico. Essa proposta se inspira no método das séries desenvolvido por François Gouin e posteriormente utilizado e adaptado por Charlotte Mason. O objetivo é apresentar o idioma por meio de sequências significativas, repetição, contexto e participação ativa dos alunos, favorecendo uma assimilação gradual e consistente.
Segundo Kaique, nas aulas GC as séries ocupam papel central nas primeiras aulas da semana, enquanto os encontros dedicados à música funcionam como complemento para ampliar vocabulário, desenvolver a compreensão auditiva e fortalecer a familiaridade com as estruturas da língua inglesa.
Outro aspecto destacado foi a importância da escuta, especialmente para os alunos mais novos. Em muitos casos, as palavras não são apresentadas imediatamente na forma escrita. Primeiro, a criança ouve, compreende e reproduz oralmente, permitindo que a audição oriente a pronúncia e a construção do significado antes da associação com a escrita.
Aprendendo por meio da música
Para demonstrar como essa metodologia funciona na prática, Kaique conduziu uma aula utilizando a tradicional canção folk “Down in the Valley”.
A atividade começou com a apresentação do vocabulário. A partir de uma imagem que mostrava uma região cercada por montanhas, os participantes aprenderam o significado da palavra valley (vale). Em seguida, foram introduzidas expressões presentes na música, como down in the valley, valley so low, hang your head over, hear the wind blow e love.
Antes mesmo de trabalhar a letra completa, Kaique ensinou a melodia por meio da escuta e da repetição. Os participantes ouviam pequenos trechos, repetiam em seguida e gradualmente passavam a cantar juntos. Gestos simples indicavam quando deveriam apenas ouvir e quando deveriam repetir, favorecendo a atenção e a participação de todos.
Na segunda parte da atividade, novos elementos de vocabulário foram apresentados por meio dos versos:
Roses love sunshine, violets love dew.
Angels in Heaven know I love you.
Durante esse processo, os participantes conheceram palavras como roses, sunshine, violets, dew, angels, heaven e a expressão I love you, sempre associando significado, pronúncia e contexto.
Kaique também explicou que, em uma turma regular, uma música como essa normalmente seria trabalhada ao longo de mais de uma aula, permitindo maior repetição e consolidação dos conteúdos apresentados.
Transformando frases em conversa
Após o estudo da canção, os participantes observaram como o conteúdo aprendido pode ser utilizado para desenvolver a comunicação em inglês.
Kaique transformou os versos da música em perguntas simples, como:
- What do roses love?
- What do violets love?
- What do angels know?
A partir dessas perguntas, os participantes passaram a responder utilizando o vocabulário recém aprendido. Ronaldo, Amora e Helena participaram da dinâmica, respondendo e formulando novas perguntas para os colegas.
A atividade demonstrou como uma mesma canção pode oferecer oportunidades para desenvolver compreensão auditiva, memorização, vocabulário, pronúncia e construção de frases, tudo de forma integrada e significativa.
O papel do português no aprendizado
Durante a conversa com os participantes, Kaique destacou que o ensino não ignora o conhecimento prévio da criança. Pelo contrário, ele parte daquilo que o aluno já compreende em português para então apresentar as formas correspondentes em inglês.
Esse princípio também aparece em outras áreas do curso, como o trabalho com séries e a apreciação artística. O objetivo é construir novas associações a partir de conhecimentos já consolidados, tornando o aprendizado mais seguro e natural.
A escolha das músicas
Outro tema abordado durante o encontro foi a seleção do repertório utilizado nas aulas.
Segundo Kaique, as músicas são escolhidas considerando critérios como beleza, riqueza cultural, valor pedagógico, adequação à faixa etária e potencial para introduzir novos elementos linguísticos. Algumas canções também contribuem para que os alunos percebam usos particulares da língua e ampliem seu repertório de formas de expressão.
A própria
“Down in the Valley” foi apresentada como exemplo desse processo. Por fazer parte do repertório folk tradicional, transmitido entre gerações, ela reúne valor cultural e potencial didático, características importantes para o trabalho desenvolvido nas aulas.
Organização das turmas
Ao responder às perguntas dos participantes, Kaique explicou como as turmas são organizadas.
As aulas de inglês estão disponíveis a partir de aproximadamente cinco anos de idade. A estrutura apresentada contempla diferentes etapas de desenvolvimento, desde as crianças menores até adolescentes e adultos.
Além da faixa etária, o nivelamento também considera o conhecimento prévio do aluno. Assim, crianças da mesma idade podem ser direcionadas para turmas diferentes, de acordo com sua experiência e familiaridade com o idioma.
Kaique também confirmou a existência de turmas para adultos, tanto para iniciantes quanto para alunos com maior domínio da língua que desejam participar de propostas imersivas.
Recursos para continuar aprendendo
Ao final do encontro, Kaique indicou alguns materiais para aqueles que desejam conhecer mais profundamente a metodologia apresentada. Entre eles estão os vídeos da Semana do Inglês, disponíveis no canal da Academia, o curso gravado Inglês com Leveza e o material Dulcis Domus MEA, que reúne séries, sugestões de músicas e planos de aula.
Após o momento de perguntas e respostas, os participantes confirmaram que suas dúvidas haviam sido esclarecidas, encerrando mais uma edição do Portas Abertas com uma visão prática e concreta de como a música, a escuta e a participação ativa podem tornar o aprendizado de um novo idioma mais natural, prazeroso e significativo.











