Museu das Pantufas e a Ciência das Relações

Juliana Poiares


No ano de 2024, minha filha mais velha estudou, na disciplina de História, a vida de alguns membros da família real brasileira. Para coroar esse ano tão interessante, organizamos uma visita à Cidade Imperial de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. Lá, onde um dia funcionou a casa de veraneio de D. Pedro II, encontra-se hoje o Museu Imperial, o famoso "museu das pantufas", assim apelidado porque os visitantes precisam calçar chinelos curiosos que ajudam a preservar o piso histórico do prédio. 


Eu estava cheia de expectativas. Iniciamos o dia com a Missa na Catedral de São Pedro de Alcântara, onde visitamos o mausoléu de D. Pedro II, sua esposa D. Teresa Cristina e a Princesa Isabel. Depois, seguimos para o Museu Imperial. Eu, que havia "organizado as surpresas", fui, na verdade, surpreendida por uma garotinha de oito anos que reconhecia praticamente todas as pessoas retratadas nas pinturas, que me corrigia quando eu fazia algum comentário impreciso e que caminhava pelos corredores como se estivesse em um lugar familiar e estivesse vendo “fotos” de conhecidos na parede. 


As surpresas não pararam por aí. Depois do Museu Imperial, seguimos para "A Encantada", a curiosa casa de Santos Dumont. Lá, encontramos uma luminária em formato de dirigível e descobrimos que ela havia sido um presente da Princesa Isabel para o pai da aviação. 


Nossa, mãe, então a Princesa Isabel conheceu Santos Dumont! -- exclamou minha filha, impressionada com a própria descoberta. 


Ali, sem que eu precisasse fazer nada, nasceu uma conexão que o tempo não apagará. Uma nova noção sobre a história, uma nova curiosidade, uma nova ideia. Lembrei-me da frase de Charlotte Mason: "Uma criança observadora deve ser colocada no caminho das coisas que valem a pena observar" (Home Education, p. 69). A própria criança, com sua própria mente, fará as conexões necessárias para que o conhecimento seja digerido e assimilado de forma definitiva. 


Mas, é claro, essas relações não teriam sido criadas se ela não tivesse vivido um ano embalado por aulas de História honestas, que trazem vida ao assunto e garantem espaço para que a mente dela faça o trabalho por si mesma. A confiança sincera na inteligência das crianças é quase uma arte perdida em nossos tempos, mas os frutos dela são reais e maravilhosos de se colher. 

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