Importância de ler jornais

Por Marcos Viana


Tem um bom tempo que eu gostaria de escrever sobre a importância de ler jornais. Gosto muito desse hábito e principalmente de ler jornais impressos. Dois artigos lidos do colunista Nicolau da Rocha Cavalcanti, no jornal Estado de São Paulo, me deram um impulso final para escrever sobre este assunto. Em um primeiro artigo se falou, de forma graciosa, sobre a nossa hiperconectividade atual e de que forma atos simples, como a leitura do jornal em papel, nos leva para rotinas mais calmas e, com isso, bem menos estressantes. 

 

“A leitura em papel, seja jornais ou livros, nos favorece um momento – cada vez mais raro – de silêncio e contemplação”. 


Os jornais em papel continuam a oferecer vantagens únicas e indispensáveis, mesmo em tempos dominados pela tecnologia digital. Um dos principais benefícios de ler jornais físicos é o fato de que eles proporcionam um ambiente livre de distrações. Sem notificações ou interrupções constantes, a leitura em papel favorece a concentração, característica que também estamos perdendo. Quanto desespero nos dá ter de ficar 5 ou 10 minutos olhando para uma folha de papel sem outras novidades que o próprio texto! 


Além disso, o formato físico permite uma experiência de leitura mais ágil e eficiente. Ao folhear um jornal, é possível escanear rapidamente uma página inteira, localizando os tópicos de maior interesse sem limitações impostas por telas menores, como as de celulares ou tablets. Essa liberdade de navegação amplia o entendimento e facilita o acesso às informações. Quando vamos em uma biblioteca, por exemplo, podemos ver todos os livros que estão à disposição. Isso nos ajuda muito a entender as possibilidades. Algo parecido se dá na leitura de um jornal impresso. 

 

Pensemos por um instante...parece-me que o papel, atualmente, está virando um luxo. Lemos no celular ou tablet, e não compramos livros, pois achamos caro, porém 20 anos atrás não o eram. A meu ponto de vista, isso se dá pelo fato de que, naquela época, dávamos mais valor a esses itens.   

 

Estamos lendo cada vez menos. Surpreendi-me, recentemente, vendo uma pesquisa mostrando que 45% dos americanos não conseguem ler um livro por ano. Realmente estamos lendo muito pouco. Penso que esta é uma das habilidades mais importantes que devemos desenvolver em nossos alunos e filhos. Uma mesma pesquisa, feita em 1975 perguntou, no Largo da Carioca, Rio de Janeiro, quantos livros em média você, cidadão, lê por mês. Pasmem, pois as respostas estavam na casa dos 4-5 livros ao mês! 


O que mudou de lá para cá? Passávamos muitas horas em transportes públicos, não tínhamos internet e nem, principalmente, celulares. Hoje em dia, esses dispositivos consomem boa parte do tempo que antes era dedicado à leitura. Mas o que jornais têm a ver com isso? Tem a ver que o jornal é uma leitura mais leve com assuntos aleatórios. Ler um livro todo pode ser um pouco mais difícil para muitos e começar com uma simples matéria no jornal pode ir nos acostumando a ler cada vez mais. Lembro-me, quando eu era pequeno, que meu pai comprava o jornal O Globo e sempre aos domingos vinha um caderno chamado O Globinho, justamente para que os pequenos leitores se acostumassem a esse hábito. Hoje, infelizmente, essa parte está proibida, pois não se pode mais fazer propaganda para crianças. Porém, este é um dos argumentos que trago: ler jornal nos ajuda a acostumar a ler textos cada vez maiores. 


Outro aspecto que vejo é que o jornal é um diário daquela sociedade. Na contabilidade existe um documento chamado Livro Diário, no qual as empresas são obrigadas a anotar os fatos econômicos diariamente. Pois bem, no inglês, este mesmo documento se chama journal e este é um sentido que vejo no Jornal: registrar fatos históricos. Recentemente fui à biblioteca do Paraná e tinha uma secção de jornais antigos encadernados. Li uma matéria mostrando a venda e compra de escravos por volta de 1850. No YouTube vi recentemente um historiador publicar comentários para cada ano do século 19 utilizando, para isso, os jornais diários de 1800. 


O jornal, sendo bem escrito ou não, vai deixando um registro histórico daquela sociedade. Imagine você lendo hoje, jornais publicados 2000 anos atrás! Por isso bibliotecas guardam muitos jornais para pesquisas futuras. 


Gosto muito de escrever cartas para o jornal e, nesses últimos 3 anos, já enviei umas 15 cartas para o Globo, Valor Econômico e Estado de São Paulo e já consegui que umas 10 fossem publicadas. Gosto muito deste hobby. Penso que esta é uma forma de participarmos do debate público que está acontecendo na sociedade em determinada época. Penso que no futuro seria muito proveitoso escrever um pouco sobre bibliotecas, mas vamos voltar ao jornal. 


No momento que estou escrevendo este texto, em uma mesa confortável na biblioteca pública do Paraná, está ao meu lado o jornal impresso do Estado de São Paulo, do dia 27 de junho de 2025, ontem. Li este mesmo jornal de forma online, no celular, e, olhando agora o jornal impresso, a experiência é mil vezes melhor. Menos luz, textos maiores, fácil de folhear, fácil de escanear mais rapidamente toda a página para me concentrar em matérias que me interessam etc. 

 

Ferramenta institucional do jornalismo e do jornal. 


Em outro artigo, também de 2023, do Nicolau de Rocha Cavalcanti, comenta-se como o jornal é um veículo de democracia, uma instituição. Matérias na internet normalmente não conseguem ter um nível de profissionalismo como o jornal e geralmente estão levando para uma grande polarização da internet. O leitor só tem acesso a ideias que fazem sentido para ele conforme os algoritmos vão sugerindo. No jornal temos uma maior pulverização, pois temos matérias destinadas aos homens, às mulheres, a vários interesses e públicos, o que nos permite ter uma visão mais ampla da sociedade e suas ideias. Claro, muitos que chegaram até este parágrafo vão falar que 100% de todos os jornais do mundo são apenas de esquerda e defendem apenas a esquerda. Eu sei disso e é bem plausível este argumento, é realmente difícil achar matérias boas hoje em dia, porém ainda existem. No jornal, principalmente o impresso, podemos mapear rapidamente essas matérias, ler os colunistas que mais gostamos e selecionar o que queremos ler. Em todos os jornais conseguimos tirar um ou duas matérias interessantes para nossa leitura. 


 

Jornal como forma de puxar assunto 


Lembro que um dia desses eu estava sentado em um banco, no meu condomínio, logo depois do café da manhã lendo um jornal impresso, foi então que parou o Nelson, morador do bloco 5. Nos conhecemos pela primeira vez e ele me perguntou: “Poxa, você ainda lê jornal impresso? Há quanto tempo não vejo isso!” Pronto, foi um primeiro assunto e começamos a conversar. Descobri que ele era jornalista aposentado e adorava ler jornais e continuamos conversando lá por uns bons 30 minutos. 


Trimestralmente, fazemos na nossa família, um encontro online para conversar um pouco com outros membros de vários lugares do Brasil. Uma experiencia muito salutar foi colocar na tela matérias antigas de jornais que podemos acessar em arquivos de 100 anos atrás, como o jornal O Globo, e de 150 anos atrás, como o Estado de São Paulo. Colocamos algumas matérias de 1980 e foi um sucesso, gerou ótimos papos e temas para nosso encontro. Isso acontece todos os dias. No café da manhã começo a ler o jornal e logo surgem vários temas para conversar com a Barbara, minha esposa, e as crianças. 


Quando estamos manuseando um jornal ou livro, outras pessoas podem ver e a partir disso começar um assunto. A questão do “ver”, para mim, é muito importante e gostaria de escrever outro texto falando sobre este ponto e, também, sobre bibliotecas. Mas por hoje é só. Espero que essas ideias sejam, de alguma forma, inspiradoras e nos ajudem a aumentar o nosso nível e gosto pela leitura. 


Texto retirado da Revista da Academia Dulcis Domus, disponível gratuitamente na aba Livraria.

Por Barbara Lores 10 de setembro de 2026
No último texto aqui do blog, falamos sobre os benefícios da leitura em voz alta e como os audiolivros podem ser nossos aliados nessa hora. Se você ainda não leu, confira aqui Quer que seu filho escreva bem? Comece pelo que ele ouve. Hoje, trazemos as nossas indicações de audiolivros por faixa etária, afinal, não são só os pequenos que podem aproveitar desse recurso tão presente em nosso cotidiano. Confira as nossas indicações: Para os pequeninos — 2 a 5 anos Histórias mais curtinhas, com diferentes narradores e, em alguns casos, músicas que tornam a experiência ainda mais divertida para iniciantes. Coleção Disquinho As Mais Belas Histórias Infantis (Conte Outra Vez) Clássicos Disney Para Ler e Ouvir Para os não tão pequenos — 4 a 8 anos Aqui já entram histórias mais longas, muitas vezes divididas em capítulos. São ótimas para acompanhar durante alguns dias e criar o hábito de ouvir uma narrativa mais extensa. Peter Pan — J. M. Barrie As Crônicas de Nárnia — C. S. Lewis A Fantástica Fábrica de Chocolate — Roald Dahl Matilda — Roald Dahl No Mundo do Infinitamente Pequeno Para os crescidinhos — a partir de 9 anos Para esta faixa, podemos começar a oferecer enredos mais complexos, com narrativas que exigem maior atenção aos detalhes do contexto. A Volta ao Mundo em 80 Dias — Júlio Verne O Hobbit — J. R. R. Tolkien E aqui vai uma observação: apesar de estar nesta seção, O Hobbit costuma conquistar também crianças menores , especialmente quando já estão familiarizadas com histórias mais longas. O Jardim Secreto — Frances Hodgson Burnett Mestre Gil de Ham — J. R. R. Tolkien A Princesinha — Frances Hodgson Burnett Dica bônus Se você costuma ouvir audiolivros no carro, uma opção prática é o YouTube Premium , que permite baixar os conteúdos para ouvir offline, sem consumir seu pacote de internet. E não, não estamos ganhando nada para fazer propaganda aqui. É só uma dica mesmo! 😄 Porque, convenhamos, poucas coisas são mais frustrantes do que uma propaganda interrompendo a história justamente na hora mais interessante, não é?  E você? Que outro audiolivro incluiria nesta lista? Conte nos comentários — queremos descobrir novos tesouros para acrescentar à nossa coleção!
Por Barbara Lores 14 de agosto de 2026
Queremos que nossos filhos tenham um repertório amplo, um vocabulário rico e sejam comunicadores competentes. Queremos que saibam escrever bem, expressar suas ideias com clareza e encontrar as palavras certas para dizer aquilo que pensam. Mas, às vezes, esquecemos de uma verdade bastante simples: para algo sair da boca ou do papel, primeiro precisa estar dentro da cabeça. Não posso pedir a alguém que fale mandarim se nunca teve contato com o mandarim. Da mesma forma, não podemos esperar que uma criança produza textos com uma linguagem rica e sofisticada se ela ainda não teve a oportunidade de ouvir e armazenar bons modelos de linguagem. É o famoso input antes do output : aquilo que a criança produz depende, em grande medida, do repertório que foi construindo. Bons leitores se tornam bons escritores? Talvez você já tenha ouvido esta frase: “Quem lê bem escreve bem.” Existe uma verdade aí. Crianças que leem bastante certamente têm uma vantagem importante no desenvolvimento da escrita. Mas transformar essa ideia em uma regra — como se a boa leitura levasse naturalmente e inevitavelmente a uma boa escrita — é um equívoco. Basta observar uma sala de aula. É perfeitamente possível encontrar crianças que leem com fluência, compreendem bem aquilo que leem e, ainda assim, têm dificuldade para escrever com clareza, correção e riqueza de linguagem. Isso acontece porque ler e escrever são habilidades relacionadas, mas não idênticas . Andrew Pudewa, fundador do Institute for Excellence in Writing (IEW), esclarece que a ntes de tudo, precisamos considerar o que significa ser um bom escritor. Ser competente na escrita significa ser capaz de comunicar ideias por meio de uma linguagem clara, correta e adequadamente sofisticada. Brilhantismo, criatividade e originalidade são ideais desejáveis, mas estão muito além daquilo que chamamos de competência. Competência significa possuir as habilidades básicas necessárias para ter êxito na vida acadêmica, profissional e no mundo do trabalho. Diante da grande carência dessas habilidades, mais do que nunca, a competência deve ser o principal objetivo de pais e professores. Por definição, escritores competentes são capazes de usar a linguagem de maneira correta e eficaz. Há um fato simples e imutável sobre o cérebro humano: não podemos tirar dele aquilo que não estava lá desde o início. À parte qualquer inspiração sobrenatural, os seres humanos — e as crianças, em particular — não conseguem produzir pensamentos ou conceitos que antes não tenham experimentado e armazenado. Em outras palavras, não podemos pensar um pensamento que não possuímos previamente. Até mesmo as ideias mais originais, criativas e extraordinárias só podem existir como combinações e transformações de informações que aprendemos anteriormente. (Fonte: Notas da palestra One Myth and Two Truths: Nurturing Competent Communicators). Ou seja, para escrever bem, a criança precisa ter dentro de si uma espécie de banco de dados linguístico a que possa recorrer. É como alguém que, ao longo dos anos, vai reunindo tesouros em um baú para abrir quando chegar a hora de usá-los: palavras, construções, expressões, imagens e maneiras de organizar o pensamento que, mais tarde, poderão ser resgatadas para a produção de seus próprios textos. E de onde vem esse repertório? Em outras palavras, o que nossas crianças estão ouvindo? Essa é uma pergunta que vale a pena fazer. Pense no que uma criança ouve ao longo de um dia comum. Grande parte de sua linguagem vem de três fontes principais: interações com crianças da mesma idade, a mídia e as conversas cotidianas . A convivência com outras crianças é, sem dúvida, importantíssima. Mas crianças da mesma idade conversando entre si dificilmente oferecem os modelos linguísticos mais elaborados de que estamos falando. Entre amigos, muitas vezes, “para bom entendedor, meia palavra basta” : um gesto completa a frase, uma expressão substitui uma explicação inteira e o contexto faz boa parte do trabalho. A mídia também pode ocupar uma parcela significativa do tempo das crianças. E, mesmo quando os pais limitam as telas e selecionam cuidadosamente o que os filhos assistem, um desenho animado dificilmente oferecerá a mesma riqueza e variedade de linguagem de uma boa obra literária. Isso se torna ainda mais evidente quando comparamos esse cenário ao consumo indiscriminado de vídeos curtos, em que a criança passa de um conteúdo a outro em busca de novos estímulos. Por isso, não podemos esperar que a mídia, mesmo quando bem escolhida, faça o trabalho que cabe à literatura. Embora, em nosso imaginário romântico, idealizemos uma mesa de jantar preenchida por poesia e conversas profundas enquanto a lareira crepita ao fundo, sejamos honestos: boa parte da linguagem que nossos filhos ouvem em casa é prática e cotidiana — “guarde os brinquedos”, “não puxe o cabelo da sua irmã”, “vá escovar os dentes”. E está tudo bem: como dizem, é só a vida acontecendo . Mas precisamos reconhecer que esses não são padrões muitos elaborados de linguagem. Por isso, precisamos compensar de alguma forma. A importância da leitura em voz alta Se queremos que nossos filhos sejam capazes de usar uma linguagem mais rica, precisamos dar a eles a oportunidade de serem expostos a essa linguagem. É aqui que entra algo de que falamos bastante por aqui: a leitura em voz alta . Quando lemos para uma criança, não estamos apenas contando uma história. Estamos oferecendo a ela palavras, frases, construções e modos de expressão que não fazem parte do seu dia a dia. E existe uma vantagem especialmente importante: podemos ler para nossos filhos livros que estão acima do nível de leitura independente deles . Uma criança pode não conseguir ler sozinha um romance com vocabulário mais complexo, mas pode perfeitamente compreendê-lo quando um adulto lê em voz alta. Assim, sua compreensão e seu repertório podem avançar muito além daquilo que ela conseguiria produzir ou ler sozinha naquele momento. Por isso, um dos erros que podemos cometer é abandonar a leitura em voz alta assim que nossos filhos aprendem a ler com autonomia . “Ele já sabe ler. Agora pode ler sozinho.” Pode, sim. Mas isso não significa que devemos parar de ler para ele. Pudewa acrescenta que, quando deixamos de ler para as crianças, também deixamos de ter oportunidades para conversar sobre palavras e suas nuances, expressões idiomáticas, referências culturais e significados históricos. E as crianças perdem algo ainda mais valioso do que o próprio enriquecimento linguístico proporcionado pela leitura em voz alta: perdem a oportunidade de desenvolver a atenção, de experimentar a força dramática que um bom leitor pode transmitir e até mesmo de cultivar o hábito de fazer perguntas sobre aquilo que ouviram. Mas sejamos sinceros: quanto tempo do dia seu filho realmente passa ouvindo você ler? Se ele permanece acordado por cerca de quinze horas, você consegue ler para ele durante quinze minutos? Trinta minutos, quando muito? Isso já é valioso. Mas talvez não seja suficiente para oferecer todo o repertório que desejamos. Audiolivros: nossos aliados! Uma das grandes vantagens dos audiolivros é justamente a flexibilidade. Eles podem acompanhar a família no carro, durante uma viagem, enquanto a criança desenha, faz um trabalho manual ou brinca. Não substituem a leitura em voz alta feita pelo pai, pela mãe ou pelo professor — especialmente pela riqueza da experiência compartilhada —, mas podem ampliar enormemente a quantidade de linguagem de qualidade que a criança escuta ao longo do dia . É verdade que existem aplicativos e serviços de assinatura com acervos excelentes, como a Audible, da Amazon — que inclui títulos como A Saga Wingfeather, de Andrew Peterson, e diversos audiolivros de O Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato —, e o Teller , da Brasil Paralelo — que reúne, entre outros títulos, os audiolivros m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o-s do antigo Clubinho Literário. Mas não é preciso necessariamente assinar um serviço para começar. Há muitos audiolivros gratuitos disponíveis no YouTube , e alguns deles estão entre os nossos favoritos. Quer conhecer a nossa lista organizada por faixa etária? Fique de olho na próxima postagem aqui do blog. 💚
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