Como viver a virtude da constância?

Constância. Eis uma palavra que é causa de sentimentos conflitantes em muitos. Se, por um lado, a reconhecemos como o caminho que precisamos tomar para chegar aonde queremos – seja na fé, nos estudos ou atividades laborais –, por outro, parece muitas vezes um estado quase inalcançável, evasivo, que escapa pelas pontas dos dedos quando estamos prestes a tomar posse dele. 


Você se propõe a ler, digamos, 30 páginas de um livro por dia. Durante duas semanas tudo parece caminhar bem; você se delicia com o seu progresso e até mesmo considera estabelecer uma meta mais ousada. Em determinado dia, você acorda e as suas atividades parecem mais pesadas do que o normal. De repente, sua mente é assaltada por pensamentos como: “e ainda terei que ler 30 páginas!”. Você toma coragem e coloca toda a sua determinação em se manter fiel a esse propósito; no entanto, ao final do dia, com muito custo, 10 páginas foram todo o possível. No dia seguinte, você se lembra do ocorrido e, com certo pesar e desânimo, pensa: “falhei em ser constante”. 


Quantos de nós não passamos por situações semelhantes a essa pelo menos algumas vezes na vida? Na realidade, nessa anedota, a conclusão tirada é fruto de uma visão equivocada do que significa crescer na virtude da constância. Explico. 


A palavra "constância" vem do latim constantia, que deriva do verbo constare, que significa "estar firme" ou "manter-se firme". Trata-se da perseverança nos bons propósitos, na prática do bem e no exercício das virtudes, apesar das adversidades e das tentações. 


Se desejas chegar a um destino, o caminho nem sempre será uma bela estrada pavimentada; por vezes, esta dará lugar a uma trilha tortuosa, pedregosa, castigada pelas intempéries. Seria insensato pensar que poderias caminhar sempre no mesmo ritmo. Se anseias demais em manter o teu ritmo, acabarás te ferindo e ficando pelo caminho. A constância é sensata, é flexível; o perfeccionismo é insensato, irredutível, obsessivo, apegado aos detalhes menos relevantes. 


Sob essa perspectiva, será que de fato falhamos na constância tantas vezes quanto nos julgamos falhos? Quantas vezes estamos, na verdade, sendo insensatos e perfeccionistas? Será que de fato você foi inconstante e “fraco” ao ler apenas 10 páginas ou, na verdade, está cegamente se apegando a um detalhe? Será que não foi uma admirável expressão de constância se manter fiel à leitura, apesar de todos os obstáculos? 


Agora que podemos analisar com mais clareza essa fundamental virtude, vejamos como exercitá-la. Neste ponto, admito que é muito difícil separá-la das outras, em especial: prudência, temperança e humildade. 


Devemos, primeiramente, nos lembrar de que tudo que é bom deve ser buscado de forma ordenada. Se desejamos ser constantes no trabalho ou nos estudos, antes vejamos se somos constantes em nossa devoção àquele de quem provém todo o bem, àquele que nos torna capazes de ser constantes em primeiro lugar. Lembremos sempre das doces palavras do Senhor: “buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." 


Uma vez que nos certificamos de que as coisas estão em seu devido lugar, devemos avaliar se a quantidade e a intensidade também estão em seus devidos lugares. Tomemos muito cuidado com as nossas metas e métricas, que podem ser uma grande armadilha! Será que, de fato, ler 30 páginas diárias é a quantidade correta e não um exagero? Ademais, será que a coisa que você busca deve ser quantificada dessa forma? Duas páginas bem refletidas e assimiladas podem valer mais do que vinte páginas devoradas com pressa. 


Não nos esqueçamos também de avaliar com honestidade qual é a nossa capacidade diante do propósito que fazemos. A humildade deve nos acompanhar do início ao término: não se superestime quanto às suas metas nem se subestime caso não as consiga cumprir. Se um dia não pudemos fazer o quanto queríamos, paciência! Já era esperado que não faríamos algo perfeito desde o princípio. Não tenhamos vergonha de diminuir o ritmo, caso necessário; lembremos que a perseverança nos levará a fazer sempre mais. 


Uma bela máxima, muitas vezes atribuída a São Francisco de Assis, nos exorta: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e, quando você menos perceber, estará fazendo o impossível." Portanto, não desanimemos jamais! Pode ser que estejamos muito mais próximos da constância do que imaginávamos. 


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Por Barbara Lores 10 de setembro de 2026
No último texto aqui do blog, falamos sobre os benefícios da leitura em voz alta e como os audiolivros podem ser nossos aliados nessa hora. Se você ainda não leu, confira aqui Quer que seu filho escreva bem? Comece pelo que ele ouve. Hoje, trazemos as nossas indicações de audiolivros por faixa etária, afinal, não são só os pequenos que podem aproveitar desse recurso tão presente em nosso cotidiano. Confira as nossas indicações: Para os pequeninos — 2 a 5 anos Histórias mais curtinhas, com diferentes narradores e, em alguns casos, músicas que tornam a experiência ainda mais divertida para iniciantes. Coleção Disquinho As Mais Belas Histórias Infantis (Conte Outra Vez) Clássicos Disney Para Ler e Ouvir Para os não tão pequenos — 4 a 8 anos Aqui já entram histórias mais longas, muitas vezes divididas em capítulos. São ótimas para acompanhar durante alguns dias e criar o hábito de ouvir uma narrativa mais extensa. Peter Pan — J. M. Barrie As Crônicas de Nárnia — C. S. Lewis A Fantástica Fábrica de Chocolate — Roald Dahl Matilda — Roald Dahl No Mundo do Infinitamente Pequeno Para os crescidinhos — a partir de 9 anos Para esta faixa, podemos começar a oferecer enredos mais complexos, com narrativas que exigem maior atenção aos detalhes do contexto. A Volta ao Mundo em 80 Dias — Júlio Verne O Hobbit — J. R. R. Tolkien E aqui vai uma observação: apesar de estar nesta seção, O Hobbit costuma conquistar também crianças menores , especialmente quando já estão familiarizadas com histórias mais longas. O Jardim Secreto — Frances Hodgson Burnett Mestre Gil de Ham — J. R. R. Tolkien A Princesinha — Frances Hodgson Burnett Dica bônus Se você costuma ouvir audiolivros no carro, uma opção prática é o YouTube Premium , que permite baixar os conteúdos para ouvir offline, sem consumir seu pacote de internet. E não, não estamos ganhando nada para fazer propaganda aqui. É só uma dica mesmo! 😄 Porque, convenhamos, poucas coisas são mais frustrantes do que uma propaganda interrompendo a história justamente na hora mais interessante, não é?  E você? Que outro audiolivro incluiria nesta lista? Conte nos comentários — queremos descobrir novos tesouros para acrescentar à nossa coleção!
Por Barbara Lores 14 de agosto de 2026
Queremos que nossos filhos tenham um repertório amplo, um vocabulário rico e sejam comunicadores competentes. Queremos que saibam escrever bem, expressar suas ideias com clareza e encontrar as palavras certas para dizer aquilo que pensam. Mas, às vezes, esquecemos de uma verdade bastante simples: para algo sair da boca ou do papel, primeiro precisa estar dentro da cabeça. Não posso pedir a alguém que fale mandarim se nunca teve contato com o mandarim. Da mesma forma, não podemos esperar que uma criança produza textos com uma linguagem rica e sofisticada se ela ainda não teve a oportunidade de ouvir e armazenar bons modelos de linguagem. É o famoso input antes do output : aquilo que a criança produz depende, em grande medida, do repertório que foi construindo. Bons leitores se tornam bons escritores? Talvez você já tenha ouvido esta frase: “Quem lê bem escreve bem.” Existe uma verdade aí. Crianças que leem bastante certamente têm uma vantagem importante no desenvolvimento da escrita. Mas transformar essa ideia em uma regra — como se a boa leitura levasse naturalmente e inevitavelmente a uma boa escrita — é um equívoco. Basta observar uma sala de aula. É perfeitamente possível encontrar crianças que leem com fluência, compreendem bem aquilo que leem e, ainda assim, têm dificuldade para escrever com clareza, correção e riqueza de linguagem. Isso acontece porque ler e escrever são habilidades relacionadas, mas não idênticas . Andrew Pudewa, fundador do Institute for Excellence in Writing (IEW), esclarece que a ntes de tudo, precisamos considerar o que significa ser um bom escritor. Ser competente na escrita significa ser capaz de comunicar ideias por meio de uma linguagem clara, correta e adequadamente sofisticada. Brilhantismo, criatividade e originalidade são ideais desejáveis, mas estão muito além daquilo que chamamos de competência. Competência significa possuir as habilidades básicas necessárias para ter êxito na vida acadêmica, profissional e no mundo do trabalho. Diante da grande carência dessas habilidades, mais do que nunca, a competência deve ser o principal objetivo de pais e professores. Por definição, escritores competentes são capazes de usar a linguagem de maneira correta e eficaz. Há um fato simples e imutável sobre o cérebro humano: não podemos tirar dele aquilo que não estava lá desde o início. À parte qualquer inspiração sobrenatural, os seres humanos — e as crianças, em particular — não conseguem produzir pensamentos ou conceitos que antes não tenham experimentado e armazenado. Em outras palavras, não podemos pensar um pensamento que não possuímos previamente. Até mesmo as ideias mais originais, criativas e extraordinárias só podem existir como combinações e transformações de informações que aprendemos anteriormente. (Fonte: Notas da palestra One Myth and Two Truths: Nurturing Competent Communicators). Ou seja, para escrever bem, a criança precisa ter dentro de si uma espécie de banco de dados linguístico a que possa recorrer. É como alguém que, ao longo dos anos, vai reunindo tesouros em um baú para abrir quando chegar a hora de usá-los: palavras, construções, expressões, imagens e maneiras de organizar o pensamento que, mais tarde, poderão ser resgatadas para a produção de seus próprios textos. E de onde vem esse repertório? Em outras palavras, o que nossas crianças estão ouvindo? Essa é uma pergunta que vale a pena fazer. Pense no que uma criança ouve ao longo de um dia comum. Grande parte de sua linguagem vem de três fontes principais: interações com crianças da mesma idade, a mídia e as conversas cotidianas . A convivência com outras crianças é, sem dúvida, importantíssima. Mas crianças da mesma idade conversando entre si dificilmente oferecem os modelos linguísticos mais elaborados de que estamos falando. Entre amigos, muitas vezes, “para bom entendedor, meia palavra basta” : um gesto completa a frase, uma expressão substitui uma explicação inteira e o contexto faz boa parte do trabalho. A mídia também pode ocupar uma parcela significativa do tempo das crianças. E, mesmo quando os pais limitam as telas e selecionam cuidadosamente o que os filhos assistem, um desenho animado dificilmente oferecerá a mesma riqueza e variedade de linguagem de uma boa obra literária. Isso se torna ainda mais evidente quando comparamos esse cenário ao consumo indiscriminado de vídeos curtos, em que a criança passa de um conteúdo a outro em busca de novos estímulos. Por isso, não podemos esperar que a mídia, mesmo quando bem escolhida, faça o trabalho que cabe à literatura. Embora, em nosso imaginário romântico, idealizemos uma mesa de jantar preenchida por poesia e conversas profundas enquanto a lareira crepita ao fundo, sejamos honestos: boa parte da linguagem que nossos filhos ouvem em casa é prática e cotidiana — “guarde os brinquedos”, “não puxe o cabelo da sua irmã”, “vá escovar os dentes”. E está tudo bem: como dizem, é só a vida acontecendo . Mas precisamos reconhecer que esses não são padrões muitos elaborados de linguagem. Por isso, precisamos compensar de alguma forma. A importância da leitura em voz alta Se queremos que nossos filhos sejam capazes de usar uma linguagem mais rica, precisamos dar a eles a oportunidade de serem expostos a essa linguagem. É aqui que entra algo de que falamos bastante por aqui: a leitura em voz alta . Quando lemos para uma criança, não estamos apenas contando uma história. Estamos oferecendo a ela palavras, frases, construções e modos de expressão que não fazem parte do seu dia a dia. E existe uma vantagem especialmente importante: podemos ler para nossos filhos livros que estão acima do nível de leitura independente deles . Uma criança pode não conseguir ler sozinha um romance com vocabulário mais complexo, mas pode perfeitamente compreendê-lo quando um adulto lê em voz alta. Assim, sua compreensão e seu repertório podem avançar muito além daquilo que ela conseguiria produzir ou ler sozinha naquele momento. Por isso, um dos erros que podemos cometer é abandonar a leitura em voz alta assim que nossos filhos aprendem a ler com autonomia . “Ele já sabe ler. Agora pode ler sozinho.” Pode, sim. Mas isso não significa que devemos parar de ler para ele. Pudewa acrescenta que, quando deixamos de ler para as crianças, também deixamos de ter oportunidades para conversar sobre palavras e suas nuances, expressões idiomáticas, referências culturais e significados históricos. E as crianças perdem algo ainda mais valioso do que o próprio enriquecimento linguístico proporcionado pela leitura em voz alta: perdem a oportunidade de desenvolver a atenção, de experimentar a força dramática que um bom leitor pode transmitir e até mesmo de cultivar o hábito de fazer perguntas sobre aquilo que ouviram. Mas sejamos sinceros: quanto tempo do dia seu filho realmente passa ouvindo você ler? Se ele permanece acordado por cerca de quinze horas, você consegue ler para ele durante quinze minutos? Trinta minutos, quando muito? Isso já é valioso. Mas talvez não seja suficiente para oferecer todo o repertório que desejamos. Audiolivros: nossos aliados! Uma das grandes vantagens dos audiolivros é justamente a flexibilidade. Eles podem acompanhar a família no carro, durante uma viagem, enquanto a criança desenha, faz um trabalho manual ou brinca. Não substituem a leitura em voz alta feita pelo pai, pela mãe ou pelo professor — especialmente pela riqueza da experiência compartilhada —, mas podem ampliar enormemente a quantidade de linguagem de qualidade que a criança escuta ao longo do dia . É verdade que existem aplicativos e serviços de assinatura com acervos excelentes, como a Audible, da Amazon — que inclui títulos como A Saga Wingfeather, de Andrew Peterson, e diversos audiolivros de O Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato —, e o Teller , da Brasil Paralelo — que reúne, entre outros títulos, os audiolivros m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o-s do antigo Clubinho Literário. Mas não é preciso necessariamente assinar um serviço para começar. Há muitos audiolivros gratuitos disponíveis no YouTube , e alguns deles estão entre os nossos favoritos. Quer conhecer a nossa lista organizada por faixa etária? Fique de olho na próxima postagem aqui do blog. 💚
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