Como foi crescer em uma família numerosa?

Anne Kathleen


Nas últimas décadas, as famílias se tornaram cada vez menores, com um ou, no máximo, dois filhos. Temos visto, contudo, muitos casais caminhando na direção oposta a esse modelo padronizado e limitado de filhos. O cenário é fácil de imaginar: uma mesa cheia de pessoas; alguns falam, outros sorriem! Histórias vividas e contadas em um seio familiar que não é apenas repleto de pessoas, mas abundante de amor. E como será viver em uma casa com muitos irmãos? A analista financeira júnior da Academia DD, Beatriz Kloster, nos concedeu uma entrevista contando um pouco sobre essa experiência.


Kloster, é um prazer tê-la conosco, especialmente para falarmos de um tema tão especial: família. Você vem de uma família de quantos irmãos?

Venho de uma família de oito irmãos. Somos em nove!


Passamos por um período em que se tornou incomum vermos famílias com mais de dois filhos, mas hoje isso tem mudado. Deve ser bem animada uma casa com muitos irmãos. Conte um pouco de como era o relacionamento entre vocês.

Sim, muito animada! Eu amo muito e sinto falta de estarmos todos juntos. Era sempre muito divertido; sempre havia alguém para brincar, conversar etc. O que eu mais sinto falta é do período das férias de dezembro na casa da minha tia. Passávamos o dia todo brincando na piscina ou jogando algum jogo de tabuleiro.


E com relação aos pais? Havia muitos ciúmes ou vocês lidavam bem com a atenção dos pais dividida entre todos?

Sempre foi super tranquilo em relação a isso. Eles sempre deram a atenção necessária para cada um, e nós entendíamos bem isso. Não havia ciúmes. Se um estava ali recebendo um abraço ou um beijo, já chegava mais um, depois mais um, e, quando víamos, já era um bolinho de gente e virava uma bagunça boa!

Além disso, eles cuidavam muito para manter um clima de amizade e carinho entre nós, sempre atentos à forma como falávamos uns com os outros, evitando “zoações” e incentivando-nos a ajudar uns aos outros. Vejo que esse cuidado fez muita diferença.


Você tem alguma recordação de situações nas quais as pessoas estranhavam a quantidade de membros em sua família? Poderia nos contar alguma que tenha lhe marcado?

Ah, sim! Sempre estranharam, mas, na maioria das vezes, de uma forma boa. Ficavam impressionados, e muitos comentavam que gostariam de ter mais irmãos, especialmente quando contávamos com alegria o quanto é bom tê-los.

Mas eram sempre as mesmas perguntas: se eram do mesmo pai, da mesma mãe, se havia adotados, gêmeos, se foi planejado etc. E meus pais respondiam sempre, de forma muito alegre: “Mesmo pai, mesma mãe, nenhum gêmeo, nenhum adotado e todos planejados!”


Os relacionamentos interpessoais nos dão a oportunidade de crescermos em virtudes, principalmente em um lar, lugar onde todos têm a mesma importância e valor. Vir de uma família numerosa lhe ajudou nesse sentido? De que forma?

Ah, sim, com certeza! Ter muitos irmãos ajuda muito nisso. Mas hoje vejo que não basta apenas ter filhos; os pais também precisam se formar muito bem para formar bem seus filhos nas virtudes.

E então surgem as situações em que nossos pais vão sabendo lidar e contornar as dificuldades para nos ajudar a crescer da melhor maneira. Ordem, espírito de equipe, espírito de serviço, generosidade, paciência, justiça, humildade, perdão, disciplina, empatia… Enfim, não consigo nem explicar, mas é muito visível a diferença que faz ter irmãos. Eles nos ajudam a ser muito melhores!


Você está esperando sua primeira filha… Imagino como deve estar feliz e cheia de expectativas para essa chegada. Ter vivido cercada de irmãos e, consequentemente, do amor fraterno, desperta em você o desejo de que sua filha tenha a mesma vivência (se assim for da vontade de Deus)?

Claro, com toda a certeza! Isso seria um grande privilégio e um presente de Deus para nossa família.


Você e seus irmãos já estão adultos, constituindo suas próprias famílias. Como são os encontros de vocês hoje em dia? Especialmente para as festividades como o Natal?

Atualmente, é difícil nos reunirmos de forma que todos estejam presentes ao mesmo tempo. O irmão mais velho mora em Campo Grande; a segunda irmã mora na República Dominicana; o terceiro irmão mora no Canadá; o quarto irmão mora aqui em Curitiba, mas viaja muito para o Nordeste e logo se casará com uma moça de lá. A quinta irmã mora em Portugal. Eu sou a sexta, e os irmãos abaixo de mim também moram aqui em Curitiba, mas reunir todos é uma verdadeira luta!

Geralmente, em casamentos conseguimos estar todos juntos, mas por pouco tempo, e passa tão rápido! Ainda assim, vamos nos encontrando ao longo do ano, quando cada um vem passar as férias.


Kloster, gostaríamos de agradecer por sua disponibilidade em compartilhar um pouco da história de sua família e por todo o belíssimo trabalho aqui na Academia DD.

Eu que agradeço! Foi um prazer!

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No último texto aqui do blog, falamos sobre os benefícios da leitura em voz alta e como os audiolivros podem ser nossos aliados nessa hora. Se você ainda não leu, confira aqui Quer que seu filho escreva bem? Comece pelo que ele ouve. Hoje, trazemos as nossas indicações de audiolivros por faixa etária, afinal, não são só os pequenos que podem aproveitar desse recurso tão presente em nosso cotidiano. Confira as nossas indicações: Para os pequeninos — 2 a 5 anos Histórias mais curtinhas, com diferentes narradores e, em alguns casos, músicas que tornam a experiência ainda mais divertida para iniciantes. Coleção Disquinho As Mais Belas Histórias Infantis (Conte Outra Vez) Clássicos Disney Para Ler e Ouvir Para os não tão pequenos — 4 a 8 anos Aqui já entram histórias mais longas, muitas vezes divididas em capítulos. São ótimas para acompanhar durante alguns dias e criar o hábito de ouvir uma narrativa mais extensa. Peter Pan — J. M. Barrie As Crônicas de Nárnia — C. S. Lewis A Fantástica Fábrica de Chocolate — Roald Dahl Matilda — Roald Dahl No Mundo do Infinitamente Pequeno Para os crescidinhos — a partir de 9 anos Para esta faixa, podemos começar a oferecer enredos mais complexos, com narrativas que exigem maior atenção aos detalhes do contexto. A Volta ao Mundo em 80 Dias — Júlio Verne O Hobbit — J. R. R. Tolkien E aqui vai uma observação: apesar de estar nesta seção, O Hobbit costuma conquistar também crianças menores , especialmente quando já estão familiarizadas com histórias mais longas. O Jardim Secreto — Frances Hodgson Burnett Mestre Gil de Ham — J. R. R. Tolkien A Princesinha — Frances Hodgson Burnett Dica bônus Se você costuma ouvir audiolivros no carro, uma opção prática é o YouTube Premium , que permite baixar os conteúdos para ouvir offline, sem consumir seu pacote de internet. E não, não estamos ganhando nada para fazer propaganda aqui. É só uma dica mesmo! 😄 Porque, convenhamos, poucas coisas são mais frustrantes do que uma propaganda interrompendo a história justamente na hora mais interessante, não é?  E você? Que outro audiolivro incluiria nesta lista? Conte nos comentários — queremos descobrir novos tesouros para acrescentar à nossa coleção!
Por Barbara Lores • 14 de agosto de 2026
Queremos que nossos filhos tenham um repertório amplo, um vocabulário rico e sejam comunicadores competentes. Queremos que saibam escrever bem, expressar suas ideias com clareza e encontrar as palavras certas para dizer aquilo que pensam. Mas, às vezes, esquecemos de uma verdade bastante simples: para algo sair da boca ou do papel, primeiro precisa estar dentro da cabeça. Não posso pedir a alguém que fale mandarim se nunca teve contato com o mandarim. Da mesma forma, não podemos esperar que uma criança produza textos com uma linguagem rica e sofisticada se ela ainda não teve a oportunidade de ouvir e armazenar bons modelos de linguagem. É o famoso input antes do output : aquilo que a criança produz depende, em grande medida, do repertório que foi construindo. Bons leitores se tornam bons escritores? Talvez você já tenha ouvido esta frase: “Quem lê bem escreve bem.” Existe uma verdade aí. Crianças que leem bastante certamente têm uma vantagem importante no desenvolvimento da escrita. Mas transformar essa ideia em uma regra — como se a boa leitura levasse naturalmente e inevitavelmente a uma boa escrita — é um equívoco. Basta observar uma sala de aula. É perfeitamente possível encontrar crianças que leem com fluência, compreendem bem aquilo que leem e, ainda assim, têm dificuldade para escrever com clareza, correção e riqueza de linguagem. Isso acontece porque ler e escrever são habilidades relacionadas, mas não idênticas . Andrew Pudewa, fundador do Institute for Excellence in Writing (IEW), esclarece que a ntes de tudo, precisamos considerar o que significa ser um bom escritor. Ser competente na escrita significa ser capaz de comunicar ideias por meio de uma linguagem clara, correta e adequadamente sofisticada. Brilhantismo, criatividade e originalidade são ideais desejáveis, mas estão muito além daquilo que chamamos de competência. Competência significa possuir as habilidades básicas necessárias para ter êxito na vida acadêmica, profissional e no mundo do trabalho. Diante da grande carência dessas habilidades, mais do que nunca, a competência deve ser o principal objetivo de pais e professores. Por definição, escritores competentes são capazes de usar a linguagem de maneira correta e eficaz. Há um fato simples e imutável sobre o cérebro humano: não podemos tirar dele aquilo que não estava lá desde o início. À parte qualquer inspiração sobrenatural, os seres humanos — e as crianças, em particular — não conseguem produzir pensamentos ou conceitos que antes não tenham experimentado e armazenado. Em outras palavras, não podemos pensar um pensamento que não possuímos previamente. Até mesmo as ideias mais originais, criativas e extraordinárias só podem existir como combinações e transformações de informações que aprendemos anteriormente. (Fonte: Notas da palestra One Myth and Two Truths: Nurturing Competent Communicators). Ou seja, para escrever bem, a criança precisa ter dentro de si uma espécie de banco de dados linguístico a que possa recorrer. É como alguém que, ao longo dos anos, vai reunindo tesouros em um baú para abrir quando chegar a hora de usá-los: palavras, construções, expressões, imagens e maneiras de organizar o pensamento que, mais tarde, poderão ser resgatadas para a produção de seus próprios textos. E de onde vem esse repertório? Em outras palavras, o que nossas crianças estão ouvindo? Essa é uma pergunta que vale a pena fazer. Pense no que uma criança ouve ao longo de um dia comum. Grande parte de sua linguagem vem de três fontes principais: interações com crianças da mesma idade, a mídia e as conversas cotidianas . A convivência com outras crianças é, sem dúvida, importantíssima. Mas crianças da mesma idade conversando entre si dificilmente oferecem os modelos linguísticos mais elaborados de que estamos falando. Entre amigos, muitas vezes, “para bom entendedor, meia palavra basta” : um gesto completa a frase, uma expressão substitui uma explicação inteira e o contexto faz boa parte do trabalho. A mídia também pode ocupar uma parcela significativa do tempo das crianças. E, mesmo quando os pais limitam as telas e selecionam cuidadosamente o que os filhos assistem, um desenho animado dificilmente oferecerá a mesma riqueza e variedade de linguagem de uma boa obra literária. Isso se torna ainda mais evidente quando comparamos esse cenário ao consumo indiscriminado de vídeos curtos, em que a criança passa de um conteúdo a outro em busca de novos estímulos. Por isso, não podemos esperar que a mídia, mesmo quando bem escolhida, faça o trabalho que cabe à literatura. Embora, em nosso imaginário romântico, idealizemos uma mesa de jantar preenchida por poesia e conversas profundas enquanto a lareira crepita ao fundo, sejamos honestos: boa parte da linguagem que nossos filhos ouvem em casa é prática e cotidiana — “guarde os brinquedos”, “não puxe o cabelo da sua irmã”, “vá escovar os dentes”. E está tudo bem: como dizem, é só a vida acontecendo . Mas precisamos reconhecer que esses não são padrões muitos elaborados de linguagem. Por isso, precisamos compensar de alguma forma. A importância da leitura em voz alta Se queremos que nossos filhos sejam capazes de usar uma linguagem mais rica, precisamos dar a eles a oportunidade de serem expostos a essa linguagem. É aqui que entra algo de que falamos bastante por aqui: a leitura em voz alta . Quando lemos para uma criança, não estamos apenas contando uma história. Estamos oferecendo a ela palavras, frases, construções e modos de expressão que não fazem parte do seu dia a dia. E existe uma vantagem especialmente importante: podemos ler para nossos filhos livros que estão acima do nível de leitura independente deles . Uma criança pode não conseguir ler sozinha um romance com vocabulário mais complexo, mas pode perfeitamente compreendê-lo quando um adulto lê em voz alta. Assim, sua compreensão e seu repertório podem avançar muito além daquilo que ela conseguiria produzir ou ler sozinha naquele momento. Por isso, um dos erros que podemos cometer é abandonar a leitura em voz alta assim que nossos filhos aprendem a ler com autonomia . “Ele já sabe ler. Agora pode ler sozinho.” Pode, sim. Mas isso não significa que devemos parar de ler para ele. Pudewa acrescenta que, quando deixamos de ler para as crianças, também deixamos de ter oportunidades para conversar sobre palavras e suas nuances, expressões idiomáticas, referências culturais e significados históricos. E as crianças perdem algo ainda mais valioso do que o próprio enriquecimento linguístico proporcionado pela leitura em voz alta: perdem a oportunidade de desenvolver a atenção, de experimentar a força dramática que um bom leitor pode transmitir e até mesmo de cultivar o hábito de fazer perguntas sobre aquilo que ouviram. Mas sejamos sinceros: quanto tempo do dia seu filho realmente passa ouvindo você ler? Se ele permanece acordado por cerca de quinze horas, você consegue ler para ele durante quinze minutos? Trinta minutos, quando muito? Isso já é valioso. Mas talvez não seja suficiente para oferecer todo o repertório que desejamos. Audiolivros: nossos aliados! Uma das grandes vantagens dos audiolivros é justamente a flexibilidade. Eles podem acompanhar a família no carro, durante uma viagem, enquanto a criança desenha, faz um trabalho manual ou brinca. Não substituem a leitura em voz alta feita pelo pai, pela mãe ou pelo professor — especialmente pela riqueza da experiência compartilhada —, mas podem ampliar enormemente a quantidade de linguagem de qualidade que a criança escuta ao longo do dia . É verdade que existem aplicativos e serviços de assinatura com acervos excelentes, como a Audible, da Amazon — que inclui títulos como A Saga Wingfeather, de Andrew Peterson, e diversos audiolivros de O Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato —, e o Teller , da Brasil Paralelo — que reúne, entre outros títulos, os audiolivros m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o-s do antigo Clubinho Literário. Mas não é preciso necessariamente assinar um serviço para começar. Há muitos audiolivros gratuitos disponíveis no YouTube , e alguns deles estão entre os nossos favoritos. Quer conhecer a nossa lista organizada por faixa etária? Fique de olho na próxima postagem aqui do blog. 💚
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